Eu preferia até não comentar, mas ultimamente não tenho muito a quem conversar. Vi que antecipei a minha solidão, quando já não havia mais ninguém para contar sobre a minha vida. Tomei uma dose de vodka. Levantar às cinco e meia, pegar aquele ônibus lotado, aturar as mesmas pessoas de sempre, reclamando dos mesmos problemas, cansa. Voltar para casa em pé, suportando aquele cheiro de suor, com pessoas estressadas do dia-a-dia, cansa ainda mais. Infelizmente há muito tempo eu não sei o que anda acontecendo com a minha vida, e nem sei se ainda posso afirmar que tenho uma. Eu até queria ser como as outras pessoas “comuns”. Que tem um trabalho normal, quando abrem a porta de sua casa, tem para quem voltar. Tem tempo para o amor, vivenciam um. Sou apenas uma moça esquisita, com seus óculos quadrados, que conversa com um gato na varanda da sua casa. Um alguém que colocou serviço, em primeiro lugar, se preocupou tanto em ...